Qual número da pressão importa mais, o de cima ou o de baixo
Nenhum dos dois vence sozinho. O número mais alto decide a faixa, então 140/70 e 128/92 ficam os dois acima da linha mesmo que metade de cada medição pareça boa. Depois dos 50 o número de cima pesa mais para o risco cardíaco, e é por ele que o médico começa, mas o seu registro precisa dos dois.
O que cada número mede
A American Heart Association resolve isso em duas frases. O número de cima, sistólico, mede a pressão com que o sangue empurra as paredes das artérias quando o coração bate. O de baixo, diastólico, mede a pressão que fica entre um batimento e outro, enquanto o músculo do coração descansa.
O de cima é o empurrão; o de baixo é o que nunca afrouxa entre um empurrão e o seguinte. Vêm do mesmo batimento e não precisam se mover juntos.
Por que um número basta
Uma medição é classificada pela sua pior metade. A American Heart Association diz que um valor sistólico ou diastólico mais alto pode ser usado para diagnosticar pressão alta, e a diretriz ESC 2024 funciona igual: uma medição entra numa faixa assim que qualquer um dos dois números alcança o limite daquela faixa.
A calculadora de pressão arterial deste site segue a mesma regra. Por isso uma medição com um número totalmente comum pode voltar mesmo assim como pressão elevada ou hipertensão.
140 por 70 é uma boa pressão?
Não. No consultório, 140 já é sozinho a linha da hipertensão, e um confortável 70 embaixo não anula isso. Em casa a mesma medição cruza a linha ainda antes, porque ali o limite é 135/85.
Um número de cima alto sobre um de baixo tranquilo é uma forma conhecida com a idade. A American Heart Association explica o motivo: com os anos a pressão sistólica costuma subir porque as artérias grandes ficam mais rígidas. Comum, mas não um motivo para ler 140/70 como algo tranquilo.
Quando o alto é o número de baixo
A mesma regra, lida do outro lado. Uma diastólica de 90 ou mais no consultório, ou de 85 ou mais em casa, coloca a medição na faixa de hipertensão mesmo quando o número de cima parece discreto. Entre 70 e essas linhas, a diretriz ESC 2024 chama a medição de elevada, faça o que fizer a sistólica.
Então 128/92 não é uma medição normal com um detalhe estranho. É uma medição acima da linha, e vai para o registro como todas as outras.
Qual número o médico lê primeiro
Os dois, mas não igualmente. A American Heart Association observa que a pressão sistólica diz mais sobre os fatores de risco de doença cardíaca em pessoas acima de 50 anos. Abaixo dessa idade, os dois são pesados juntos.
Nada disso muda o que um diagnóstico exige. A NICE NG136, a diretriz britânica, confirma a hipertensão quando uma medição de consultório de 140/90 ou mais se junta a uma média em casa de 135/85 ou mais. As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 2020 (SBC) também colocam a hipertensão a partir de 140/90 no consultório e dividem os valores em estágios. Em todos os casos, trata-se dos dois números ao longo de uma semana, não da pior linha do registro.
O que isso muda no seu registro
Anote os dois números toda vez, mesmo quando um deles parecer sem graça. Acrescente a hora e o seu pulso. Depois faça a média da semana em vez de encarar a linha mais alta: a calculadora de pressão arterial média faz a conta e dá o nome da faixa em que a média cai.
Uma única medição alta não é motivo de alarme imediato, como diz a American Heart Association. Fique sentado um minuto, meça de novo e anote isso também. Como fazer um registro de pressão arterial descreve a semana que o médico pede, e a tabela de pressão arterial para imprimir já vem com as colunas.
Uma exceção está acima de tudo isso: uma medição acima de 180 e/ou 120 junto com dor no peito, falta de ar, dor nas costas, dormência, fraqueza, alteração na visão ou dificuldade para falar é uma ligação para o SAMU, 192, e não uma anotação.
O BP Diary guarda os dois números com a hora, mostra a média da semana e imprime o relatório que o médico pede.